Eu uso máscara

Sabe-se que o vírus é transmissível por gotículas emitidas pela respiração de quem estiver infectado. Ou ao falar uns com os outros. Ou talvez pelas gotículas que estiverem em suspensão no ar de ambientes fechados. O uso da máscara parece, por isso, ser essencial. 

Afinal usamos máscara ou não?

Sabe-se que o vírus é transmissível por gotículas emitidas pela respiração de quem estiver infectado. Ou ao falar uns com os outros. Ou talvez pelas gotículas que estiverem em suspensão no ar de ambientes fechados. O uso da máscara parece, por isso, ser essencial. 

A máscara evitaria assim que respirássemos gotículas infectadas e evitaria, em caso de estarmos nós infectados, que as nossa gotículas na respiração ou do falar infectassem outras pessoas. Mas este vírus é muito pequeno. 

A maior parte das máscaras não impede a passagem do vírus, do meio ambiente para o nosso aparelho respiratório. Mas, se o vírus pode viajar nas gotículas, estas são muito maiores do que ele e por isso podem ser filtradas. Esta lógica tem sido aplicada para defender o uso generalizado das máscaras como protecção primária, tão importante como lavar as mãos e desinfectar tudo o que tocamos e comemos. 

Não contrapondo esta lógica, penso que as máscaras têm mais uns quantos problemas que, para serem usadas, terão de ser pensados e controlados. 

Maior parte das máscaras comuns, que se vêem por aí, não têm densidade de filtragem suficiente para o vírus. Mas podem dar uma sensação de segurança que de facto não oferecem. Inconscientemente, as pessoas sentem-se mais seguras por usarem a máscara. Podem por isso relaxar os cuidados e não cumprir a distância social ou as regras de higiene.

Estas máscaras comuns e mais baratuchas, por não terem a peça em metal para se moldarem ao nariz e maçãs do rosto, deixam aberturas na cara por onde o ar, e as tais gotículas, podem facilmente passar.

O uso da máscara não evita o contágio através dos olhos. Mais uma vez, se a distância social não for cumprida, há sempre hipóteses de contágio pelos fluidos dos olhos, apesar da protecção do nariz e da boca.

As máscaras saturam com a nossa respiração. Ao respirarmos expiramos vapor de água, que vai ao longo do tempo deixando a máscara molhada. Ao ficar molhada satura e deixa de ser eficaz. As gotículas passam a fazer parte da humidade da máscara e o vírus pode ser transportado. 

Se tocarmos com as mãos contaminadas na máscara, esta ficará também contaminada. E poderá transportar o vírus. A tendência de toda a gente que usa uma máscara é ajustá-la de tempos a tempos. Mesmo que isso seja inconsciente. 

Mas, acima de tudo, sejam máscaras cirúrgicas, de pano, xpto, com filtro, sem filtro, com filtros caseiros, de pintor, o que seja, as máscaras usadas evitam sobretudo que quem estiver infectado sem o saber tussa, espirre ou respire para cima de outras pessoas. Se todos usarmos máscara, evitamos os nossos perdigotos para cima dos outros e, com isso, evitamos contaminar. Se os outros usarem a máscara, protegem-me a mim, se eu usar a máscara protejo os outros. E isso é fundamental.

Por tudo isto, penso que usar máscara, seja ela qual for, será melhor do que não usar nenhuma. 

Mas só e só se algumas regras forem escrupulosamente cumpridas, sob pena do uso da máscara poder infectar mais gente do que protegê-la. Se não houver disciplina férrea por parte das pessoas que as usam, pode ser muito mais perigosos do que não as usar. 

A saber: 

Para máscaras reutilizáveis:

  • Quando receber a máscara novinha em folha, a primeira coisa a fazer é lavá-la. Na máquina a 60º ou em água com lixívia, nunca menos de 1 para 10.
  • Quando chegar a casa, pôr a máscara imediatamente na máquina de lavar ou num alguidar com a água com lixívia. Lavar. 

Para máscaras descartáveis:

  • Se forem descartáveis, vão directamente para o lixo normal, nunca para a reciclagem, muito menos para a sanita.

Para todas as máscaras:

  • Para usá-la, lavar as mãos primeiro, pegar-lhe pelas orelhas, colocá-la, ajustá-la, ter a certeza que está confortável e que não sai do sítio. 
  • Não a usar mais do que o tempo necessário para que fique molhada pela respiração. Ou seja, quando ficar molhada, a sua eficácia estará comprometida. 
  • Nunca por nunca levar as mãos à máscara seja para o que for. Se precisar de ajustar, manipulá-la só e somente pelas orelhas. 
  • Quando chegar a casa, a primeira coisa é lavar as mãos. (sabão abundante, água de preferência morna ou quente, pelo menos 20 segundos de esfrega não esquecendo as unhas)
  • Só depois tirar a máscara segurando só e somente pelas orelhas e com cuidado. 
  • Depois de tirar a máscara e descartá-la, lavar as mãos outra vez.