Máscara artística de protecção
AP Photo/Petr David Josek

O vírus vai-nos obrigar a usar máscaras. Agora e depois.

Por agora precisamos delas para sairmos de casa para ir às compras ou a algum sítio que tenhamos imperativamente de ir, quebrando pontualmente o isolamento em casa que o vírus nos pede. Depois, quando começarmos a sair de casa para ir trabalhar e seguir uma vida o mais normal possível.

Iremos precisar de máscaras todos os dias. Porque todos os dias iremos precisar de sair, estar com mais gente, andar de transportes públicos ou estarmos em grupo ou em multidões. Precisaremos por isso de pelo menos uma máscara por dia. Se precisarmos de andar todo o dia de máscara, precisaremos de várias máscaras por dia, sabendo que uma máscara tem um tempo próprio de saturação menor do que um dia inteiro de trabalho. Mas façamos as contas só com uma máscara por dia. 

Se contarmos com todos aqueles que sempre existem e que pensam que estas coisas das contaminações, vírus, cuidados intensivos e mortes só acontece com os outros, os que acham que são fortes e não lhes acontece nada, os que têm vergonha de se proteger, os que acham que tudo isto é um grande exagero, os que “já não podem mais”, os que não “aguentam respirar com aquilo”, os que não pensam, os que se estão nas tintas para tudo, os que se estão nas tintas para os outros. Enfim, todos os que têm estas ou tantas outras coisas próprias do coração humano ou da sua estupidez, ignorância ou falta de educação. Se descontarmos todos estes, assumindo uma população de 10 milhões, digamos que precisamos de uns 5 milhões de máscaras por dia. Ao fim de uma semana de trabalho com 5 dias, teremos utilizado uns 25 milhões de máscaras. Ao fim de um mês de 22 dias de trabalho teremos utilizado 110 milhões de máscaras. E por aí afora.

Ora sabemos que as máscaras descartáveis devem ser descartadas para o lixo normal, depois de usadas. A sua não reciclagem justifica-se por poderem estar infectadas. Por isso, com uma quantidade tal de máscaras, ou se inventam métodos para reciclá-las com segurança ou iremos criar muito mais lixo do que o normal nos aterros e incinerações por queima. Com a respectiva factura para o ambiente e, consequentemente, para todos nós. Ainda por cima estas máscaras são feitas de TNT (tecido não tecido), um material plástico, o que quer dizer que aumentaríamos o consumo e o lixo de plástico em todo o mundo, quando o que queremos é diminuí-lo. A prova disso é a quantidade de lixo deste, máscaras usadas, que está a dar à costa em países asiáticos, ou as máscaras usadas que aparecem nas ruas de Portugal ao lado de caixotes do lixo.

Por estas e outras razões defendo antes o uso de máscaras de tecido. 

Pelo que tenho lido, alguns tecidos têm uma eficácia não desprezível quando comparados com as chamadas máscaras 95 ou , melhores, do que as máscaras cirúrgicas simples compradas na loja do chinês. Máscaras feitas de pano de cozinha, mistura de algodão e acrílico, lençóis, são possíveis como tendo eficácias percentuais, se não óptimas, boas. 

(exemplo https://www.washingtonpost.com/health/2020/04/07/answers-your-diy-face-mask-questions-including-what-material-you-should-use/?arc404=true )

(exemplo de máscaras: https://happydiyhome.com/diy-face-mask/ )

Claro que, seguindo a mesma lógica estatística que usei acima, precisaremos de mais do que uma máscara por dia e várias por semana, para não termos de lavar máscaras todos os dias na máquina de lavar roupa. Isso representaria outra catástrofe ecológica, económica e de recursos, desperdiçando água, detergente, electricidade e poluindo muito mais, se toda a gente o fizesse. Mas tendo várias máscaras reutilizáveis é possível fazer uma gestão inteligente, juntando-as em lugar seguro até haver roupa suficiente em casa para fazer uma máquina e juntar as máscaras sujas. 

Se todos seguirmos esta linha de pensamento e acção:

  • Deixaremos as máscaras descartáveis para os profissionais de saúde ou para situações onde elas são mais necessárias.
  • Não poluiremos mais o país, o continente e o planeta.
  • Poderemos reciclar tecidos, utilizando o que tivermos em casa. Lençóis, flanelas, t-shirts.
  • Os mais criativos poderão criar máscaras bonitas, ousadas, personalizadas…
  • Incentivaremos negócios de design, moda, têxteis, artesanato, comércio e produção local, em vez de mais negócios de multinacionais produtoras de plástico. 
  • Incentivaremos a reutilização em vez do descartável.