Tem havido ultimamente alguns ataques às Terapias Não Convencionais, com especial incidência sobre a Medicina Tradicional Chinesa, aproveitando o clima internacional de desconforto e crítica ao regime político da China, às suas acções acerca da Pandemia, às suas intenções nacionais e internacionais e ao consequente inundar da sociedade de opiniões mais ou menos xenófobas, arrastando para a crítica cega tudo o que seja chinês ou ligado de alguma forma a esse país ou cultura.

Os ataques não são novos e são, na sua maior parte, lançados por interesses corporativos provocando dúvidas e desconfiança na população sobre a eficácia clínica, veracidade da informação e credibilidade científica da Medicina Tradicional Chinesa. 

Interessa pois esclarecer alguns pontos que julgo essenciais sobre esta disciplina clínica em Portugal:

– O exercício da Medicina Tradicional Chinesa em Portugal encontra-se legalizada desde 2013 (https://dre.pt/pesquisa/-/search/499569/details/maximized), regulamentada desde 2014 (https://dre.pt/pesquisa/-/search/58217874/details/maximized) e é definida como “…uma terapêutica que utiliza métodos de prevenção, diagnóstico, prescrição e tratamentos próprios, baseados nas teorias da medicina tradicional chinesa e nos seus métodos específicos, designadamente, na estimulação dos pontos de acupunctura e meridianos através de diferentes métodos terapêuticos, na prescrição de fórmulas fitoterapêuticas, aconselhamento alimentar e exercícios para promover e recuperar a saúde.”

  • A Medicina Tradicional Chinesa tem este nome em portugal por nomenclatura legal inspirada na OMS, que norteou as definições da profissão, aquando se discutiram e fizeram as leis e regulamentações. Interessa referir que nos nossos tempos esta medicina ou terapêutica em Portugal não é a tradicional, que foi praticada na China durantes séculos. Foi sendo modernizada e, hoje em dia, a nomenclatura internacional é a de Medicina Chinesa, tendo caído a “Tradicional”.
  • Os produtos fitoterápicos prescritos no âmbito da prática das medicinas complementares na UE são classificados como suplementos alimentares e regulados segundo a legislação emanada directamente da Comissão Europeia (CITES- Regulamentação relativa ao comércio de espécies da fauna e da flora selvagens na União Europeia). De acordo com esta legislação é expressamente proibido o comércio de animais ameaçados de extinção, sendo que a concha de ostra é o único produto de origem animal permitido. 
  • Todas as plantas importadas de fora do espaço comunitário são objecto de apertadas regras e controlo.
  • As fórmulas fitoterápicas só podem ser manipuladas e fabricadas dentro da UE por laboratórios devidamente certificados.
  • Se é verdade que a China é um país que manipula todo o tipo de informação, seja dentro ou fora do país, também é verdade que há muita investigação sobre a Medicina Chinesa a ser feita noutros países, o que, mesmo que excluamos todo o material científico vindo da China, valida cientificamente a Medicina Chinesa. 
  • Há cada vez mais investigação de outras áreas clínicas em conjunto com a Medicina Chinesa, ou sobre ela, demonstrando o seu potencial em Medicina Integrativa. 
  • A Medicina Chinesa é aplicada com bons resultados em veterinária e em pediatria, o que exclui resultados terapêuticos por crenças esotéricas ou por efeito placebo puro.

Por último, de referir que o exercício da Medicina Chinesa por quem a exerce no mundo nada tem que ver com posições de índole política, ideológica, cultural ou sociológica face à China ou outros países e culturas.