Sou um pessimista por natureza. Sempre fui. Há sempre coisas que nos chateiam. No meu caso e ultimamente, vão desde a minha associação profissional que não se comporta como profissional até à estupidez dos comportamentos que vejo em certas pessoas na rua, ou de defesas de coisas indefensáveis por amigos meus. Passando, claro está, pelo estado do mundo, os seus governantes, as misérias evitáveis, o que poderia ser e não é. 

Talvez seja mais fácil vermos o que nos falta do que ver o que temos. Ou vermos o que está mal em vez de vermos melhor o que está bem. Ou de darmos por garantido o que temos, gostamos ou quem amamos. Talvez tudo isso seja ajudado pelo bombardeamento constante das televisões, jornais, rádios, redes sociais e outras coisas mais, pela quantidade de notícias e informação de tudo o que está mal ou pode vir a estar, pelo mundo fora, no nosso dia-a-dia, à nossa esquina. Talvez queiramos o que vemos como modelo nas séries e nos filmes, sem nos lembrarmos que ficaríamos culturalmente todos iguais se isso fosse possível.

A Medicina Chinesa explica-nos que qualquer emoção demasiado forte ou demasiado prolongada terá a sua repercussão no corpo, podendo levar aos desequilíbrios a que chamamos doença. Assim como os desequilíbrios do físico podem criar doença emocional, tendo então estes desequilíbrios de ser tratados.

Podemos imaginar então que, se não tivermos emoções, teremos uma saúde de ferro. Mas, num olhar mais atento, o que a Medicina Chinesa defende é o equilíbrio das emoções. Não ter emoções continua a ser um desequilíbrio.

Por isso, tento não ser pessimista e continuo a ter emoções, que procuro boas, agradáveis e que me equilibrem. 

É uma batalha, por vezes dura, mas de outras vezes, doce porque vencedora. Tento portanto ver o “copo meio cheio” em vez de meio vazio, tento filtrar a informação que me chega através dos vários canais, pergunto-me amiúde o que vale de facto a pena. Se me apetece reagir e brigar com alguma coisa ou alguém, obrigo-me a parar para pensar. 

E, acima de tudo, tento reagir a tudo com bom humor, muitas vezes brincando com o que me apoquenta. Respirar fundo também faz bem. E, claro, também ajudo com acupunctura, para equilibrar.

E consigo, não sendo optimista na mesma, mas também sendo muito menos pessimista. Um passo para mais momentos de felicidade e de saúde.