Os gatos também envelhecem

Fui visitar outra vez os meus gatos. Ou melhor, os meus antigos gatos, que vivem noutra casa, desde que me separei da sua dona. Terão agora perto dos 18 anos, cada um deles. O tempo passa e nós não damos por ele. Eles continuam amarelos porque sempre o foram e eu passei a ser grisalho em vez do forte cabelo castanho-escuro aos caracóis. Eles ficaram com os olhos mais pequeninos e baços, o pêlo mais seco, áspero e desgrenhado, eu fiquei com rugas e os olhos mais papudos. Mas a verdade é que eles são muito mais velhos do que eu. Há uns tempos que não ia visitá-los. 

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São cada vez mais as pessoas que me dizem que passaram de consumidores de carne e peixe para uma dieta mais virada para a quase ausência destas proteínas. Ou que se tornaram vegetarianos ou ovo-lacto-vegetarianos. Ou Vegan. Ou isso. E cada vez mais jovens vegetarianos desde quase sempre. Seja o que for, o denominador comum é a ausência, ou quase, de carne ou peixe.

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Acho que toda a gente os tem. Chamo-lhe “os amigos à força”. São aqueles amigos que sabemos profundamente que se um dia deixarmos de lhes telefonar ou procurar de alguma forma, a comunicação ficará cortada e, irremediavelmente, o esquecimento e afastamento terá lugar até onde não sabemos. Por vezes até ao ridículo de os encontrarmos por acaso passados anos e nos dizerem “É pá, estava mesmo a pensar um dia destes em telefonar-te…”. Ou de até ao ponto de nunca mais os vermos ou sabermos deles de facto. 

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Pão a sério

Ando sempre a ver se descubro um sítio onde possa comprar pão como era dantes. No meu tempo de menino. O chamado pão alentejano. Não falo do pão tipo-alentejano, essa coisa que não é nem uma coisa nem outra e que adulterou completamente o que é um bom pão e ofende qualquer pão de facto feito e cozinhado como o pão-alentejano a sério. 

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O dinheiro é pouco. É sempre pouco. Preciso disto e daquilo, de pagar esta e aquela conta, e mais a escola dos miúdos, o seguro do carro, o jantar de aniversário do Manuel, o semestre do IMI. E queria tanto aquele computador novo… é uma bomba!

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Algumas pessoas com quem tenho falado ainda estão praticamente em confinamento. Habituaram-se a estar confinadas, sentem-se bem assim e deixam-se estar, isoladas e contentes com a sua melancolia confortável e solitária.

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Tinha que fazer aquilo, aquela outra coisa não podia esperar, há mais isto para responder, aquilo para terminar. O outro telefonou e ainda não telefonou ao outro. Urgente, tudo é urgente. Ainda não teve resposta daquilo que pediu, a resposta que veio está errada, não pode ser, tem de confirmar. Escrever mais e-mails, telefonar, telefonar, o telefone toca, quem é? E decidir, tem de decidir. Se for isto pode ser que seja melhor, mas se não decidir por aquilo pode ser que seja pior. Pensar, no meio de tudo isto, o que será melhor, como levar a água ao melhor moinho. Não querer falhar, não querer falhar, pensar em tudo, no mínimo pormenor, o detalhe que pode deitar tudo a perder. 

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Um amigo meu foi operado. Ao fígado. Retiraram-lhe 70% do fígado. A cirurgia correu bem, removeram tudo o que era para remover, e está em franca recuperação. O prognóstico é bom. 

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Depois deste confinamento todo, apeteceu-me um dia destes atirar-me para dentro de uma pastelaria e regalar-me com uns doces. Provavelmente comprarei uma daquelas caixinhas em papel, recheada de pastelaria fina para comer em casa, a salvo de pessoas sem máscara ou em cima uns dos outros. Tenho é de escolher bem onde comprar as iguarias.

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O confinamento exerceu com certeza uma pressão extraordinária em todos os que não estavam habituados a viver e trabalhar sempre dentro de casa.

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